Por volta de 1850–1879 ·Um lugar de passagem, um lugar para ficar
Antes da autonomia municipal, antes da prefeitura própria, havia um povoado tomando forma.
Os históricos locais associam essa formação, em meados do século XIX, aos caminhos de tropeiros e à doação de terras para um núcleo religioso dedicado a São Sebastião. A referência a uma doação por volta de 1850 aparece tanto no histórico municipal quanto na bibliografia sobre a cidade.
A história tradicional do nome preserva uma lembrança daquele trânsito: um rancho que recebia viajantes e a orientação para que limpassem o espaço antes de partir. A expressão “varre e sai” teria dado nome ao lugar. Existem diferenças entre as versões; trata-se de uma narrativa tradicional sobre a origem do nome.
Um pouso, um caminho, um núcleo de convivência. Na memória da cidade, a passagem e a permanência aparecem lado a lado.
Em 1879, a constituição da freguesia de São Sebastião marcou uma etapa de sua organização. Era ainda o século XIX: o município autônomo só viria muito depois.
1880–1900 ·Novos moradores, novos vínculos
No final daquele século, a expansão do café e a chegada de imigrantes italianos se entrelaçaram. A pesquisa histórica da UFF documenta grupos estabelecidos na região em 1897 e 1898, especialmente na Fazenda Bela Vista.
A viagem não terminava no desembarque no Brasil. Depoimentos reunidos pela pesquisa descrevem o percurso de trem até Natividade e a continuação até as fazendas com animais e carros de bois.
Essa trajetória ajuda a compreender a distância entre chegar a um país e estabelecer-se em um lugar. Entre uma etapa e outra, havia o trabalho de percorrer caminhos e começar uma vida em novas condições.
Esses moradores passaram a integrar uma localidade que já existia. A imigração tornou-se parte de sua transformação e de sua identidade, sem representar, sozinha, toda a história de sua população.
1900–1925 ·A vida em torno da terra
O trabalho agrícola não era apenas uma atividade individual. Nos casos estudados pela UFF, envolvia famílias, pagamentos por tarefas e parcerias na produção. O cultivo de alimentos também participava da subsistência e dos rendimentos.
É nessa escala cotidiana que a formação de uma cidade ganha profundidade: no que se produzia, nas relações de trabalho e nas possibilidades que se abriam para seus habitantes.
A história do café era também uma história social. Compreendê-la exige enxergar as pessoas e suas condições de vida para além da lavoura.
Varre-Sai atravessou a entrada do século XX com essa ligação entre terra, trabalho e povoamento. O capítulo seguinte acompanha como essa trajetória se conectou ao comércio, à vida comunitária e à conquista da autonomia.
