1925–1950 ·O campo e as ruas de uma mesma história
A ligação com a agricultura também participava da formação do comércio. Registros cartorários analisados pela UFF mostram, na primeira metade do século XX, compras de propriedades rurais, casas e imóveis comerciais por imigrantes. A pesquisa relaciona a cafeicultura à ampliação do mercado local de mercadorias e serviços.
O povoado se construía nessas relações entre a produção e a vida nas ruas. Campo e núcleo urbano eram partes de uma mesma trajetória.
As mudanças administrativas também marcaram esse período. Em 1947, Varre-Sai deixou de integrar Itaperuna e passou a compor Natividade do Carangola.
No ano seguinte, segundo o inventário histórico de 2011, foi fundada a Sociedade Amigos de Varre-Sai, associando a busca pela emancipação à melhoria das condições de vida e à construção de um hospital local.
A autonomia começava a aparecer como um projeto de organização da comunidade, décadas antes de se tornar lei.
1950–1975 ·Cuidar da vida, ampliar as conexões
O inventário registra a reinauguração da Associação Hospitalar São Sebastião em 1957 e a ampliação hospitalar em 1970, com espaços destinados a enfermaria, radiologia, isolamento e laboratório. Também situa em 1961 a chegada da televisão por meio de um posto repetidor.
São marcos de uma localidade cuja história não ficou suspensa entre o café e a emancipação.
Saúde e comunicação passaram a fazer parte dessa continuidade. A memória do lugar também está nos equipamentos que foram sendo construídos e nas formas de conexão que se ampliaram.
Esses acontecimentos permitem acompanhar o século XX para além de suas grandes datas políticas. Entre elas, havia uma comunidade organizando serviços e incorporando mudanças à vida cotidiana.
1975–2003 ·Identidade, autonomia e a entrada em um novo século
Em 1976, segundo entrevistas reunidas no estudo publicado na Revista Vértices, o primeiro Festival do Vinho foi realizado para arrecadar recursos para o Serrano Esporte Clube. Uma iniciativa ligada ao futebol deu origem a uma celebração que passou a reunir produção local, convivência e identidade cultural.
O mesmo estudo registra relatos de produtores sobre a adaptação do conhecimento de fabricação de vinhos à jabuticaba disponível na região. Uma tradição transmitida entre gerações encontrou expressão em um fruto local.
Na produção agrícola, o inventário situa em 1977 a fundação da Cooperativa de Café do Norte Fluminense. Registra também a mobilização emancipacionista de 1990.
Em 12 de janeiro de 1991, a Lei estadual nº 1.790 criou o município de Varre-Sai, desmembrado de Natividade. A instalação ocorreu em 1º de janeiro de 1993.
A emancipação foi uma mudança administrativa decisiva dentro de uma história muito mais longa.
Na chegada aos anos 2000, os documentos permitem reconhecer a dimensão daquela comunidade: o Censo de 2000, reproduzido pelo TCE-RJ, registrava 7.854 habitantes, dos quais 52,6% viviam na área urbana. O diagnóstico da Embrapa, com dados daquele mesmo ano, atribuía a Varre-Sai aproximadamente 45% da produção de café do Noroeste Fluminense.
O município entrava no novo século reunindo uma presença urbana expressiva e uma forte ligação com a produção rural.
Essa é a trajetória que nos traz até o início dos anos 2000: caminhos de passagem, formação do povoado, trabalho agrícola, comércio, serviços, vida cultural e autonomia municipal.
Antes de avaliar o que aconteceu depois, era preciso reconhecer o que havia sido construído até ali.
