Nossa história e ideias
Capítulo 3 de 5 · Nosso presente

O tempo passou. E a cidade?

Imagem meramente ilustrativa: senhora de bengala andando por uma calçada quebrada, ao lado de um ribeirão e de um poste torto
Imagem meramente ilustrativa

Varre-Sai conquistou a autonomia. Passou a ter sua própria prefeitura, suas próprias decisões e a responsabilidade de cuidar do próprio futuro.

Mas o que essa conquista mudou na vida de quem mora aqui?

Os anos passaram. E muita coisa que precisava melhorar continua esperando. Em alguns lugares, até o que já existia deixou de receber o cuidado necessário.

É isso que incomoda. Ver o tempo passar e continuar esbarrando nos mesmos problemas.

O que foi ficando pelo caminho

Na virada dos anos 2000, a cidade já tinha dificuldades. O ribeirão já recebia esgoto. Havia problemas, e havia muito a fazer.

Mas também havia mais árvores, trechos do entorno mais cuidados, bancos, calçadas e postes perto do campo. Espaços que faziam parte da vida da cidade.

Parte disso foi se perdendo. Árvores cortadas ou malcuidadas. Calçadas se deteriorando. O ribeirão com mais mau cheiro e seu entorno precisando de atenção.

Uma coisa vai embora aqui. Outra deixa de funcionar ali. Quando a gente percebe, perdeu um pedaço do lugar onde gostava de viver.

A cidade precisa crescer. Também precisa cuidar do que já tem.

Sair de casa não deveria ser tão difícil

O transporte é outro exemplo. Em diferentes épocas, passaram por aqui Bola Branca, Viação Real e Viação Brasil. Houve também as vans.

As opções diminuíram. Ficou a dependência dos horários da Brasil, com intervalos grandes e viagens que nem sempre atendem à rotina de quem precisa trabalhar, estudar ou resolver alguma coisa fora.

Quem não consegue encaixar a vida nesses horários acaba esperando ou pagando por outra maneira de viajar.

E dentro da cidade?

Tem calçada difícil de atravessar. Tem pavimento desnivelado. Houve trechos asfaltados, mas ainda falta muito para que as pessoas consigam circular bem.

Para quem usa cadeira de rodas, tem dificuldade para andar ou precisa de apoio, uma calçada ruim pode interromper o caminho. A pessoa precisa pedir ajuda, depender de carro ou se arriscar junto dos veículos.

Não deveria ser tão difícil andar pelo lugar onde se mora.

E quem vive no campo?

O campo ajuda a sustentar Varre-Sai. Mas quem trabalha e mora na zona rural também precisa ser lembrado quando o assunto é qualidade de vida.

Não basta reconhecer a importância do produtor e do trabalhador rural. É preciso olhar para as condições em que vivem.

A energia instável atrapalha a casa e o trabalho. A iluminação ruim deixa caminhos mais difíceis. E a falta de uma boa estrutura de internet mantém oportunidades longe de quem já enfrenta a distância.

Quando a conexão não chega de forma adequada, o morador precisa procurar uma solução e bancar a estrutura que consegue instalar. E nem sempre isso resolve o problema.

Uma internet que funciona pode ajudar alguém a estudar de casa, fazer um curso, acessar um serviço ou cuidar de um negócio. Quando ela falta, essas possibilidades também ficam mais difíceis.

Quem mora no campo não deveria precisar lutar tanto para ter acesso ao básico.

O café pode sair da zona rural e chegar longe. O desenvolvimento também precisa fazer o caminho de volta e chegar à vida de quem produz.

O básico continua esperando

Na saúde, por muito tempo o atendimento seguiu muito dependente de papel e caneta, enquanto a tecnologia avançava ao redor. A estrutura hospitalar também precisava de melhorias.

O que se espera é um atendimento organizado, informações disponíveis e condições para os profissionais trabalharem bem.

Fora do hospital, continuam os problemas de água, energia e iluminação.

Falta luz, e a rotina para. A água falha, e a família precisa reorganizar o dia. A iluminação não atende, e o caminho de casa fica pior.

São serviços diferentes. Cada responsável precisa responder pela sua parte. Mas quem enfrenta o problema não vive essa separação: sente tudo dentro da mesma casa.

De tanto acontecer, a dificuldade acaba virando costume.

E esse talvez seja um dos maiores riscos: a gente se acostumar a receber menos do que precisa.

Trabalhar aqui e conseguir seguir em frente

O campo tem valor. O serviço público tem valor. O comércio e os serviços também.

A questão é que as pessoas precisam de mais opções.

Quem quer seguir outra profissão encontra qual caminho? Quem termina os estudos consegue enxergar uma oportunidade? Quem quer aprender algo novo encontra formação e espaço para trabalhar?

A cidade precisa ampliar essas possibilidades.

O café faz parte da nossa força. Como transformar essa força em mais conhecimento, formação e atividades que também abram portas para outras pessoas?

A cultura, a história e o turismo também merecem cuidado e continuidade.

Tem coisa que foi perdida. Tem coisa que melhorou pouco. E tem coisa que ainda precisa começar.

É preciso olhar para cada uma delas e enfrentar o que está faltando.

Ainda dá para construir

Trocar quem governa precisa trazer mudanças que apareçam na vida das pessoas.

O crescimento de Varre-Sai não pode depender de o grupo A ou o grupo B estar no poder. Nós precisamos de um projeto de cidade, e não de um projeto político de um grupo.

Isso significa ter prioridades claras, planejar o que precisa ser feito e dar continuidade ao que funciona, mesmo quando muda o governo. O que é bom para a população precisa continuar, independentemente de quem começou.

Houve obras e intervenções. Mas a pergunta continua: foram suficientes? Tiveram continuidade? Resolveram o que precisava ser resolvido?

É isso que precisa ser cobrado.

Uma cidade não pode passar a vida esperando. E quem mora aqui não pode perder a esperança de viver melhor aqui.

Já houve gente construindo caminhos, serviços e uma vida em comunidade. Essa história mostra que é possível fazer.

Agora, reconhecer os problemas precisa ser o começo de outra etapa: entender o que precisa mudar e reunir disposição para trabalhar por isso.

O futuro da cidade ainda está sendo escrito.

O que vamos fazer para que quem está crescendo aqui encontre mais oportunidades do que nós encontramos?